Capítulo 3: O Mercado dos Segredos Sussurrados
Maya fechou os olhos e buscou no fundo da mente. Ela encontrou uma memória pequena, de quando tinha cinco anos: o cheiro de um chiclete que ela perdera antes de conseguir mascar. Não era uma memória grande, mas era autenticamente perdida.
Ela estendeu a mão aberta para Rusty. Uma pequena esfera de luz pálida flutuou da palma de sua mão para o peito de cadeados do golem. Tlec-tlec! Rusty brilhou por um segundo e soltou um suspiro metálico satisfeito. — Pode passar, Garota-que-Encontra-Caminhos. Mas cuidado: o Mercado não aceita devoluções.
Maya atravessou o restante da ponte e desembocou em uma praça circular e imensa. O som era ensurdecedor, mas não era de gritos; eram milhares de sussurros. As barracas eram feitas de caixotes de madeira flutuantes e tecidos de seda que mudavam de cor sob as duas luas.
Lá, tudo o que você pudesse imaginar estava à venda: meias que perderam seus pares, botões de casacos favoritos e, o mais estranho, bolhas de sabão contendo segredos que as pessoas esqueceram de contar. Os mercadores não pediam ouro, mas sim pequenos sussurros em troca de informações.
Enquanto caminhava, a bússola de Maya vibrou com uma intensidade quase dolorosa. O ponteiro apontava para uma barraca nos fundos, coberta por cortinas de veludo azul-marinho. Lá dentro, uma mulher de cabelos prateados e óculos de lentes redondas examinava um mapa feito de fumaça.
— Você demorou a chegar, Maya — disse a mulher, sem levantar os olhos. — Eu sou Elara, a Curadora. E esse objeto que você carrega… ele não deveria estar fora do cofre de seu avô.
Maya sentiu um calafrio. — Você conhecia o meu avô?
Elara finalmente olhou para ela, e seus olhos pareciam conter galáxias inteiras. — Eu conhecia o homem que tentou mapear o invisível. Mas saiba de uma coisa: os Coletores de Sombras já sentiram o brilho da sua bússola. Se você quer respostas, precisamos ir para o Arquivo agora mesmo.
Elara sabe mais do que diz! Com inimigos ocultos já no seu rastro, Maya terá coragem de entrar na torre infinita do Arquivo? A jornada fica mais perigosa no Capítulo 4!
