Capítulo 2: A Ponte de Chaves
Maya deu o primeiro passo para fora da fenda de luz. Seus pés tocaram algo que tilintou suavemente: Trim-trim. Olhando para baixo, ela viu que não estava pisando em asfalto ou terra, mas em uma imensa estrutura feita de milhares de chaves antigas entrelaçadas.
A ponte de metal estendia-se sobre um abismo de nuvens violetas. Cada chave parecia vibrar com uma história diferente. Havia chaves de casas que não existiam mais, chaves de diários secretos e chaves de portões esquecidos pelo tempo. O som de seus passos era como uma música metálica e misteriosa.
— Mantenha o equilíbrio, Maya — ela murmurou para si mesma, sentindo o vento gelado das duas luas balançar seu cabelo.
No meio do caminho, uma pilha de cadeados começou a se mexer. Maya parou bruscamente. Os cadeados se ergueram, girando e se encaixando uns nos outros até formarem uma pequena criatura quadrada e ranzinza. Era um golem de metal, com olhos que brilhavam como moedas de cobre oxidadas.
— Pare aí mesmo, Garota-que-Encontra-Caminhos! — a criatura rangeu, soando como uma porta velha sendo aberta. — Eu sou Rusty, o Guardião da Primeira Passagem. Ninguém cruza a ponte sem pagar o pedágio de Chronopolis.
Maya apertou a bússola dourada na mão. — Eu não tenho moedas. E não tenho chaves extras.
Rusty deu uma risadinha metálica: Clack-clack-clack. — Moedas não valem nada aqui. Em Chronopolis, pagamos com o que foi perdido. Para passar, você deve me entregar uma memória esquecida. Algo que você enterrou no fundo da mente e nunca mais quis lembrar.
Maya sentiu um aperto no peito. Memórias eram tudo o que ela tinha do seu avô. Entregar uma delas parecia perigoso. Mas o ponteiro da bússola apontava com insistência para a frente, atravessando o pequeno golem. Ela precisava decidir: o que doía menos perder para poder continuar avançando?
Rusty exige uma memória em troca da passagem. Se Maya entregar, ela nunca mais poderá recuperá-la. Qual segredo ela deixará para trás para entrar no Mercado dos Segredos? Descubra no Capítulo 3!

