O Ratinho Tico/ historinhas para dormir

Tico era um rato do campo, pequeno até para os padrões dos ratos. Suas orelhas eram grandes demais e captavam todo tipo de barulho assustador.

Crac! — fazia um galho seco. Tico pulava de susto. — Fuuuu… — fazia o vento. Tico se escondia debaixo de uma folha.

Para Tico, o mundo era gigante, barulhento e perigoso. Ele vivia correndo, com o coração batendo rápido como um tamborzinho de festa: tique-taque, tique-taque.

Um dia, explorando a varanda da casa dos humanos em busca de migalhas de pão, Tico encontrou um objeto estranho.

Era feito de metal, brilhava como a lua e tinha a forma de um copinho, mas cheio de furinhos minúsculos. Era um dedal de costura, que a vovó da casa tinha perdido.

Tico cheirou o objeto. Cheirava a ferro frio. Ele tentou morder. Era duro. Curioso, ele virou o dedal e enfiou a cabeça dentro.

O mundo mudou na hora.

Lá dentro do dedal, o som do vento ficou abafado e suave. O barulho dos grilos ficou longe. Tico viu seu próprio reflexo no metal polido por dentro: ele não parecia um ratinho assustado. Com aquela “armadura” na cabeça, ele parecia um cavaleiro medieval.

— Eu sou o Sir Tico! — disse ele. A voz dele ecoou dentro do dedal, grossa e forte: EU SOU O SIR TICO!

Tico sentiu uma força estranha nas pernas. Ele estufou o peito. Com seu capacete de prata, ele marchou para o jardim.

De repente, uma sombra gigante cobriu a grama. Era o Gato Malhado.

Normalmente, Tico teria corrido tão rápido que viraria um vulto. Mas o capacete pesava um pouco, e o som dos passos do gato estava abafado pelo metal. Tico não ouviu o perigo chegar tão perto.

Quando o Gato Malhado abaixou a cabeça para cheirar aquela “coisa” prateada na grama, Tico se virou. Ele não viu um monstro; viu apenas um focinho úmido através da borda do dedal.

— Vá embora, dragão peludo! — gritou Tico, batendo o pé.

O som ecoou no metal e saiu estranho, metálico e agudo. O Gato, que esperava um rato fugitivo, ficou confuso. Que bicho era aquele com cabeça de ferro que não tinha medo? O Gato, desconfiado de que aquilo fosse uma armadilha ou um besouro gigante, deu um passo para trás e foi embora procurar uma caça mais fácil.

Tico levantou o dedal da cabeça, suando. Ele viu o rabo do gato sumindo no muro.

Ele, Tico, tinha espantado o gigante!

Ele olhou para o dedal na sua mão. Era apenas um pedaço de metal velho. A mágica não estava no objeto; a mágica foi ele ter acreditado, por um segundo, que era maior do que seu medo. Tico guardou o dedal em sua toca como um troféu, mas aprendeu que a verdadeira coragem não se veste na cabeça, ela mora dentro do peito.


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