
Ouça a narração desta história:
O armário da cozinha rangeu, nhééc, quando a mãe de João o abriu, mas lá dentro não havia nada além de poeira. Lá fora, a vaquinha Mimosa mugia triste, muuuu, como se soubesse que a despensa estava vazia. O coração de João apertou. Ele sabia o que precisava fazer.
Cinco Feijões Mágicos
Com passos pesados e a corda da Mimosa nas mãos, João pegou a estrada de terra rumo à vila. No meio do caminho, um senhor de roupas coloridas e sorriso misterioso apareceu na frente dele.
— Moedas acabam, meu jovem, mas magia dura para sempre — disse o homem, abrindo a mão. Na palma dele, cinco feijões brilhavam como pedras preciosas, com todas as cores do arco-íris.
João sentiu uma esperança quentinha no peito e aceitou a troca. Mas, quando chegou em casa, a mãe não viu mágica nenhuma, só desespero. Chorando, jogou os feijões pela janela. João foi dormir com a barriga roncando, gruuum, e os olhos cheios de lágrimas.
Mas a manhã trouxe um cheiro forte de mato fresco. Ao abrir a janela, João mal acreditou: um pé de feijão gigantesco, com folhas grandes como lençóis, subia, subia, subia até furar as nuvens.
O Reino do Gigante
A curiosidade falou mais alto que o medo. João escalou o caule verde e úmido até chegar a um reino no céu. Lá, tudo era enorme. E o chão tremia: BUM! BUM! BUM! Eram os passos de um gigante terrível.
— Fi-fai-fo-fum! Sinto cheiro de criança! — rugiu o gigante, com uma voz de trovão.
Rápido como um esquilo, João se escondeu. E ficou espiando, de olhos arregalados, o gigante guardar sacos de ouro, uma galinha que botava ovos dourados e uma harpa que tocava sozinha a música mais doce do mundo.
Com o coração disparado, tum-tum-tum, João levou o ouro e a galinha em viagens bem silenciosas. Mas, quando tentou pegar a harpa, ela gritou:
— Socorro! Socorro!
O gigante acordou furioso!
Tchac! Tchac! O Machado
João desceu pelo pé de feijão o mais rápido que conseguia, sentindo o caule arder nas mãos e ouvindo o gigante descer logo atrás. Assim que pisou na grama do quintal, gritou:
— Mãe! O machado! Rápido!
Com golpes fortes, tchac! tchac! tchac!, João cortou o tronco grosso. O pé de feijão tombou com um estrondo, CRAAASH!, e o gigante sumiu entre as nuvens para nunca mais voltar.
Naquela noite, a casinha estava cheia de luz, música e cheirinho de jantar na mesa. João abraçou a mãe, olhou para a harpa e para a galinha dos ovos dourados e entendeu que a maior riqueza tinha sido a coragem de acreditar naqueles feijões.
Para quem lê: João e o Pé de Feijão é um conto popular inglês, contado de boca em boca muito antes de ser escrito. Ele ficou famoso na coletânea de contos ingleses organizada por Joseph Jacobs, publicada em 1890. O grito do gigante, que em inglês é “fee-fi-fo-fum”, faz parte da história desde as versões mais antigas.






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