O Menino que Ouvia o Silêncio das Árvores cap 03

Capítulo 3: A Coruja de Olhos de Safira

O sol ainda nem tinha nascido quando Tom calçou suas botas de couro mais grossas. A Aldeia de Pedra dormia um sono pesado, enrolada na neblina da manhã. Ele guardou a Folha de Carvalho Prateada e a pedra azulada no bolso do casaco, respirou fundo e caminhou em direção à linha de árvores gigantes.

Dar o primeiro passo para dentro da Grande Floresta Escura foi como entrar em uma caverna gelada. A luz mudou de repente. O chão, coberto por séculos de folhas secas, estalava alto sob as botas de Tom: Crac… crac… crusch…

O menino andou por alguns minutos, sentindo que o silêncio ali era pesado e esquisito. Não havia canto de passarinhos. Não havia o zumbido dos insetos. Era um silêncio triste.

De repente, um som cortou o ar acima da sua cabeça. Flap, flap, flap! Algo grande desceu voando das sombras dos galhos mais altos e pousou suavemente em um tronco caído bem na frente dele.

Tom parou, prendendo a respiração. Ali, encarando-o, estava uma coruja. Mas ela era do tamanho de um cachorro pequeno! Suas penas eram em tons de marrom e dourado, e seus olhos… seus olhos brilhavam no escuro com um azul intenso e profundo, exatamente como a pedra que Tom carregava no bolso.

— Você demorou, pequeno colecionador — disse a coruja. A voz dela não soou no ar, mas sim dentro da cabeça de Tom, como um eco suave e sábio.

O menino arregalou os olhos e deu um passo para trás. — V-você está falando comigo? Foi você que mandou a folha de prata na minha janela?

A coruja piscou os grandes olhos de safira. — Meu nome é Olívia. Sou a Guardiã das Memórias da Floresta. E sim, fui eu. Há muito tempo as árvores tentam falar com a sua aldeia, mas os adultos têm os ouvidos cheios do barulho dos machados e das moedas. Só você consegue ouvir o sussurro das raízes, Tom.

Tom apertou a folha de prata no bolso. Ele se sentiu pequeno, mas ao mesmo tempo, sentiu que estava exatamente onde deveria estar.

— O que está acontecendo, Olívia? Por que a floresta está tão fria e silenciosa?

A coruja virou a cabeça quase de cabeça para baixo, olhando fixamente para o chão de terra. — A doença começou lá no fundo, perto da Nascente Negra. O Gigante Coração-de-Pedra está se mexendo durante o sono, envenenado por uma tristeza antiga. Se ele acordar com raiva, transformará tudo em rocha sem vida, até a sua aldeia.

A missão de Tom acaba de ficar muito maior e mais perigosa! Ele precisará avançar para as partes mais profundas da mata. Prepare-se para conhecer os perigos do Capítulo 4!

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