Capítulo 2: O Vento que Traz Avisos
O jantar na casa de Tom cheirava a sopa de batatas quente e pão assado. A lareira estalava alegremente — creck, ploc —, espantando o frio que descia das montanhas. Seu pai, um homem forte de mãos calejadas, olhou para o menino, que brincava com a colher no prato sem comer quase nada.
— Você estava perto da Grande Floresta Escura de novo, não estava, Tom? — perguntou o pai, com a voz grave, mas preocupada. — Já conversamos sobre isso. As raízes daquelas árvores são traiçoeiras. E você sabe muito bem que o Gigante Coração-de-Pedra não gosta de visitas.
— Pai, a floresta não é má — respondeu Tom, baixinho. Ele colocou a mão no bolso da calça, sentindo a pedra azulada que havia guardado. — Ela está tentando dizer alguma coisa. Acho que ela está… doente.
O pai deu um sorriso cansado, bagunçando os cabelos do filho. — É muita imaginação para uma cabeça só, garoto. Árvores não falam. Agora, termine sua sopa. Amanhã teremos muito trabalho na oficina.
Mais tarde, naquela mesma noite, o silêncio da Aldeia de Pedra foi quebrado. O vento começou a uivar forte do lado de fora: Wooooosh… wooooosh… As janelas do quarto de Tom tremiam, fazendo um barulho apressado — ta-ta-ta-ta-ta.
Tom sentou-se na cama, puxando a coberta até o queixo. De repente, a tranca da sua janela se soltou sozinha. Clack! A folha de madeira se abriu com um estrondo e uma rajada de vento gelado invadiu o quarto, trazendo um cheiro forte de pinheiro e terra úmida.
Junto com o vento, algo pequeno e brilhante pousou bem em cima do travesseiro de Tom.
O menino fechou a janela tremendo um pouco de frio e olhou para a cama. Era uma folha. Mas não uma folha seca qualquer. Era uma Folha de Carvalho Prateada. Estava dura como vidro e incrivelmente gelada ao toque.
Quando Tom encostou o dedo na ponta da folha de prata, ele não ouviu apenas o vento. A voz na sua cabeça foi clara, como se alguém estivesse sussurrando bem no seu ouvido.
— O silêncio das raízes secou… a nascente negra despertou… encontre a guardiã de olhos de safira.
Tom arregalou os olhos. Não era imaginação. O frio que não vinha da neve estava congelando as árvores por dentro. E a floresta estava pedindo socorro a ele.
A mensagem foi clara! Quem é a misteriosa “Guardiã de olhos de safira”? Tom precisará entrar na floresta proibida para descobrir. A coragem será testada no Capítulo 3!


