A Pipoca que Não Queria Estourar

Grãozinho de milho Tuca, com carinha assustada, escondido no canto da panela enquanto as pipocas estouram e o menino Pedrinho espera com a tigela azul na cozinha da Vó Cida

Tuca era um grãozinho de milho amarelo, durinho e redondo, que morava num pote de vidro no armário da Vó Cida. Lá dentro era escuro e quietinho, e tinha um cheiro de palha seca. Tuca adorava aquele cantinho.

Até que, num domingo de chuva, a tampa do pote fez créc! e entrou uma luz de repente.

— Hoje é dia de pipoca! — anunciou a Vó Cida, sacudindo o pote. Chiq-chiq-chiq.

Uma Panela Quentinha Demais

Tuca e os irmãos caíram dentro de uma panela grande: tlim, tlim, tlim. No fundo tinha um fio de óleo e um pedacinho de manteiga derretendo devagar. O cheiro era daqueles que fazem qualquer barriga roncar.

O fogo acendeu: fuuump.

No começo foi gostoso, como deitar na areia quente da praia. Depois foi esquentando, e esquentando mais. Tuca sentiu alguma coisa crescendo dentro dele, apertando, empurrando.

— Ai, ai, ai… o que está acontecendo comigo?

Então, bem do lado dele: POF!

O grão vizinho virou uma coisa branca e fofa, cheia de dobrinhas, e pulou até a tampa. POF! POF! POF-POF! Em volta, todo mundo começou a estourar, um atrás do outro, feito fogos de festa junina.

Eu Quero Continuar Pequeno!

Tuca se encolheu no cantinho da panela.

— Eu não vou estourar, não! — gritou. — Eu gosto de ser assim: redondinho, amarelo, durinho. E se eu ficar esquisito? E se eu não gostar do que eu virar?

Lá de cima, uma pipoca grandona e branquinha olhou para ele.

— Eu também tinha medo — disse ela, ainda meio tontinha. — Mas sabe o que eu descobri? Dentro de você tem uma coisa macia guardada. Ela só sai quando você deixa.

Do lado da pia, o Pedrinho segurava a tigela azul com as duas mãos e contava baixinho:

— Falta pouco, falta pouco…

Pof! Um Voo Até o Nariz

Tuca respirou fundo. O calor, o friozinho na barriga e o cheiro de manteiga vinham todos misturados. Ele fechou os olhos e parou de segurar.

POOOF!

Voou alto, girou no ar como uma bailarina e… ploc! Pousou bem na ponta do nariz do Pedrinho.

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— Vó! Essa pipoca veio me dar um beijo! — riu o menino.

Tuca se olhou. Estava enorme e branquinho, cheio de dobrinhas, parecendo uma nuvem. No meio ainda tinha um pontinho amarelo, só para lembrar quem ele era.

E ele achou aquilo a coisa mais bonita do mundo.


Moral da história: mudar dá um friozinho na barriga, mas às vezes é assim que a gente descobre o melhor de si.

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