
Zumbina era uma mosquinha de asas muito especiais. Quando o sol batia nelas, elas brilhavam com todas as cores do arco-íris! Ela morava no Jardim dos Girassóis e era o bichinho mais rápido e elétrico de lá. Zumbina não andava, ela ziguezagueava: zzzzz para cá, zzzzz para lá!
O único problema era que a boquinha da Zumbina era tão rápida quanto as asas. Ela falava sem parar, fazia mil perguntas e tinha tanta pressa que não deixava ninguém terminar uma frase. Ufa!
O Zumbido Apressado
Um dia, Zumbina encontrou a Dona Formiga carregando uma folha enorme, bem maior do que ela.
— OiFormigaOQueVocêEstáLevandoPossoAjudarÉPesadoZzzzz? — perguntou a mosquinha, assim mesmo, tudo grudado, voando em círculos em volta da coitada da formiga.
A formiga parou, respirou fundo, hufff, e começou a responder:
— Oi, Zumbina. Eu estou levando esta folha para…
— Para fazer um barco? Uma cama? Ah, eu adoro cama de folha! Zzzzz! — interrompeu Zumbina, sem deixar a amiga terminar.
A Dona Formiga balançou a cabeça, cansada de tanto zumbido, pegou a sua folha e foi embora em silêncio. Com o Sapo foi igualzinho: ele mal abriu a boca e, ploft!, pulou para bem longe. A Borboleta bateu as asas e sumiu também. Ninguém queria conversar com a Zumbina, porque conversar com ela era como ficar no meio de uma tempestade de palavras voadoras!
A Lição do Caracol
Zumbina pousou numa pétala de margarida, muito chateada.
— Por que os meus amigos vão embora? Eu só quero conversar!
Logo abaixo da margarida, o Senhor Caracol comia um pedacinho de mato, nhac… nhac… nhac… Ele era o bicho mais devagar do jardim inteirinho. Zumbina voou até ele.
— SenhorCaracolPorQueNinguémFalaComigoZzzzz?
O Caracol mastigou bem devagar. Engoliu. Olhou para a mosquinha. E disse, bem pausadamente:
— Minha… jovem… mosquinha. A conversa… é como… uma gangorra.
Zumbina já estava abrindo a boca para falar de gangorras, mas o Caracol levantou uma anteninha, pedindo para ela esperar. Ela fechou a boca e engoliu o zumbido. Glup! Foi muito difícil!
— Se só um lado desce, a brincadeira não tem graça. Para brincar de conversar, um fala e o outro escuta. Você tem asas muito rápidas, mas precisa aprender a estacionar essas orelhinhas.
Zumbina ficou quietinha. E, pela primeira vez, escutou de verdade. No silêncio, ela ouviu o vento balançando as folhas, fsss, fsss, os passarinhos cantando lá longe e até o barulhinho engraçado do Caracol mastigando. Era lindo!
Bom Dia, Dona Formiga!
No dia seguinte, quando viu a Dona Formiga, Zumbina voou até ela e pousou. Dobrou as asinhas e perguntou:
— Bom dia! O que você está fazendo hoje?
E o mais importante: ficou caladinha, esperando a resposta. A Dona Formiga abriu um sorriso gigante e contou uma história inteirinha sobre a construção do formigueiro.
Zumbina continuou sendo a mosquinha mais rápida do jardim, mas agora todo mundo adorava a companhia dela. Ela descobriu que ouvir as histórias dos amigos era tão divertido quanto voar pelas flores. Zzzzz… de pura felicidade!
Moral da história: conversar é como brincar de gangorra: um fala, o outro escuta, e aí os dois se divertem.





