
No mundo dos pequenos, existia uma regra antiga: Formigas andam por cima da terra, Cupins andam por dentro da madeira. E eles nunca, jamais, se misturavam.
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Tina era uma formiga cortadeira. Ela era forte, vermelha e cheirava a folhas frescas. Tuco era um cupim. Ele era pálido, gordinho e cheirava a madeira úmida e escura.
Um dia, uma tempestade de verão caiu sem avisar. CABRUM!
A chuva transformou o jardim em um rio de lama. Tina, carregando um pedaço de folha de roseira maior que ela, escorregou. Ela rolou para dentro de um buraco na raiz de um velho carvalho caído.
Tudo ficou escuro. O cheiro era de mofo e terra velha.
— Socorro! — gritou Tina, tateando com as antenas.
— Shhh! Você vai acordar o Tamanduá! — sussurrou uma voz tremida.
Tina acendeu o “radar” das antenas. Na frente dela, tremendo, estava Tuco, o cupim.
Normalmente, Tina teria corrido. Mas a entrada do buraco estava bloqueada por uma pedra pesada e molhada que deslizou com a chuva.
— Estamos presos — choramingou Tuco. — O ar vai acabar.
Tina empurrou a pedra. Ela era a formiga mais forte do formigueiro, capaz de levantar 50 vezes o seu peso. Hummmph! A pedra nem mexeu. Ela estava travada por uma raiz grossa de madeira.
— Eu não consigo — disse Tina, cansada. — A raiz segura a pedra.
Tuco chegou perto. Ele tocou a raiz com suas anteninhas pálidas. — Madeira? — perguntou ele. — Disso eu entendo.
— Mas você é pequeno e mole — disse Tina. — Não tem força.
— Não tenho força nos braços, mas tenho talento nos dentes — sorriu Tuco.
Tuco começou a trabalhar. Nhac, nhac, nhac. O som era rápido e rítmico. Ele não empurrou a raiz; ele a comeu. Ele roeu exatamente o ponto onde a raiz prendia a pedra. O gosto era amargo, mas ele continuou.
— Pronto! — disse Tuco, limpando a boca. — A trava se foi.
Tina se preparou. Agora era a vez dela. Ela apoiou as seis patas no chão úmido, encostou o ombro na pedra e fez força. Muita força.
Sem a raiz para atrapalhar, a pedra rolou. Vruuuuum.
Um feixe de luz do sol entrou no buraco, iluminando a poeira. O ar fresco entrou.
Tina e Tuco saíram, piscando os olhos.
Eles se olharam. A formiga forte e o cupim roedor. Sozinhos, ficariam presos para sempre. Juntos, eram invencíveis.
— Até logo, comedor de madeira — disse Tina, sorrindo. — Até logo, carregadora de folhas — respondeu Tuco.
Eles foram para lados opostos, mas, toda vez que passavam pelo velho tronco oco, davam uma batidinha de antena na madeira, o código secreto de uma amizade que quebrou todas as regras.
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