
A Revolta da Cocada
Dona Benta na cozinha
Preparava um doce bom
O coco ralado branco
Caindo em cima do tom
Da panela que chiava
Num alegre e doce som.
Mas a tal da cocadinha
Que era muito danada
Não queria ir pro prato
Ficar ali parada
Pulou fora do tacho
Pra seguir sua jornada.
Rolou pelo corredor
Passou por baixo da porta
“Eu quero ver o jardim!”
“Pois a vida me importa!”
Gritava a doce pequena
Pela trilha que entorta.
Encontrou o sol bem quente
E começou a suar
Quase virou um melaço
Perto do pé de gambá
Percebeu que o seu destino
Era a gente alegrar.
Uma menina a viu
Com o olho a brilhar
Pegou a cocada do chão
Antes dela se espalhar
E a doçura do mundo
Pode enfim saborear.
Pois o doce só é feliz
Quando encontra uma criança
Traz um sorriso no rosto
Renovando a esperança
De um mundo bem mais leve
Feito roda de dança.
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