A Semente de Dente-de-Leão e o Grande Salto

O mundo inteiro, para aquela Pequena Semente, resumia-se à cabeça redonda, macia e segura da sua Flor Mãe. Ela estava ali agarrada com firmeza, rodeada por centenas de irmãs que pareciam pequenos flocos de neve.

A Pequena Semente era fofa e leve como uma pluma branca, mas, apesar da aparência frágil, ela segurava sua haste com toda a força que suas pequenas fibras permitiam. Ela tinha medo do que existia além dali.

O Convite do Vento Outonal

O Vento Outonal chegou de mansinho, assobiando entre as pétalas secas: Fiuuuuuu… Suas mãos invisíveis, porém vigorosas, começaram a balançar o jardim. — Hora de voar! — cantou o Vento com uma voz que parecia música.

Uma a uma, as irmãs da Pequena Semente começaram a se soltar. Elas subiam no ar girando graciosamente como bailarinas brancas, rindo e partindo para destinos desconhecidos. — Não! — gritou a Pequena Semente, apavorada. — É alto demais! Eu vou cair!

Ela se encolheu o máximo que pôde. O Vento puxou com carinho, mas ela resistiu. Logo, ela se viu sozinha no topo da flor, que agora estava careca, seca e silenciosa. Os dias passaram e o sol ficou fraco, trazendo um frio que ela nunca tinha sentido.

A Coragem de se Soltar

Olhando para baixo, ela via apenas a terra escura e dura. — Se eu ficar aqui, vou acabar secando sozinha — pensou ela, com uma pontinha de tristeza. O Vento voltou, mas desta vez seu toque era suave como um carinho de mãe.

— Eu não vou te derrubar — sussurrou ele, quase num sopro. — Eu vou carregar você. Confie em mim.

A Pequena Semente respirou o ar geladinho do outono e, finalmente, afrouxou o aperto. No instante em que se soltou, um frio gelou sua barriga de semente, mas a queda nunca veio. O ar a amparou por baixo, macio como um colchão de nuvens.

Um Novo Começo no Horizonte

Lá de cima, o mundo era um espetáculo gigante! Ela viu telhados vermelhos, um cachorro correndo pelo quintal e um campo verde infinito que parecia estar à sua espera. A viagem foi pura magia, um balé silencioso entre o céu e a terra.

Finalmente, ela pousou com a leveza de um beijo em um pedaço de terra úmida, fofa e acolhedora. Ali, ela se aninhou pronta para um sono profundo durante o inverno, sabendo que na primavera acordaria transformada, sendo ela mesma uma linda flor amarela.


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